11/05/2015

A presença calmante da mãe auxilia na retirada de dor e modifica a atividade neural no cérebro infantil

A mãe não só pode ajudar a aliviar a dor em crianças, como também pode afetar o desenvolvimento cerebral precoce, alterando a atividade dos genes em uma parte do cérebro envolvida em emoções, de acordo com novo estudo da NYU Langone Medical Center.

Ao analisar cuidadosamente os genes ativos em cérebros de ratos infantis quando a mãe estava presente ou não, os investigadores da NYU descobriram que centenas de genes eram mais ou menos ativos em bebês ratos experimentando a dor do que naqueles que não a experimentam. Com suas mães presentes, no entanto, menos de 100 genes foram ativados.

De acordo com a pesquisadora sênior do estudo e neurologista Regina Sullivan, PhD, que iria apresentar as conclusões de sua equipe na reunião anual da Sociedade de Neurociência em Washington, DC, em 18 de novembro, a pesquisa acredita ser a primeira a mostrar os efeitos a curto prazo da prestação de cuidados maternos no cérebro de um filhote angustiado. O estudo também foi projetado para suportar sua pesquisa sobre as consequências a longo prazo das diferenças na forma como os mamíferos, incluindo os seres humanos, são alimentados a partir do nascimento.

"Nosso estudo mostra que uma mãe consola seu bebê na dor não apenas para obter uma resposta comportamental, mas também o próprio reconforto modifica - para melhor ou para pior - o circuito neural crítico durante o desenvolvimento inicial do cérebro", diz Sullivan, professora da NYU School of Medicine e sua afiliada, Instituto Nathan S. Kline de Pesquisa Psiquiátrica.

Para o estudo, os pesquisadores realizaram análises genéticas no tecido da região da amídala de cérebros dos filhotes de ratos, responsável pelo processamento das emoções, como medo e prazer. Sullivan, cuja pesquisa anterior mostrou como a sinalização elétrica à presença da mãe é controlada no cérebro do filhote, diz que suas últimas descobertas lançam uma visão sobre a complexidade do tratamento da dor em recém-nascidos.

"Ninguém quer ver uma criança sofrer, em ratos ou qualquer outra espécie", diz Sullivan. "Mas se as drogas opiáceas são perigosas demais para se usar em bebês humanos por causa de suas propriedades aditivas, o desafio para os investigadores continua a ser a identificação de estímulos ambientais alternativos, incluindo a presença materna, mimando, ou outras pistas, como o perfume de uma mãe, que poderiam aliviar a dor."

Sullivan adverte, porém, que as consequências a longo prazo destas modificações genéticas também devem ser comparadas com os benefícios de curto prazo para conectar estímulos de dor durante a infância a um símbolo poderoso de proteção e segurança, como a mãe da criança. "Quanto mais aprendemos sobre nutrir o cérebro infantil durante a infância, melhor preparados estamos para tratar a longo prazo problemas que surgem a partir da dor, como o abuso físico e mental experimentado durante a infância", diz Sullivan.

Fonte: NYU Langone Medical Center / New York University School of Medicine. (2014, November 18). Mother`s soothing presence makes pain go away, changes gene activity in infant brain. Science Daily. Retrieved April 13, 2015 from www.sciencedaily.com/releases/2014/11/141118125432.htm